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Mensagens

A mostrar mensagens de dezembro, 2018

A Frieza Calculista da Utilidade

A dificuldade em experienciar prazer nos pequenos momentos do quotidiano, em busca de uma inalcançável e plena felicidade, impede os seres mais curiosos e extraordinários de viver uma existência plenamente realizada. O intenso e ofuscante foco no que pode ser evita que vejam a beleza do que na realidade é. A micro gestão impede-os de sentirem verdadeira e profundamente. Optam por racionalizar as interações, na sua cerebral procura pela santíssima perfeição. Sentem dificuldade no abandono apaixonado e preferem a frieza calculista da utilidade. Vivem sem nunca saber o quão vivaz são as cores desta paleta. Experimentam novos sabores com dificuldade e perdem-se nas rotinas assegurantes. Estes seres, tão necessários ao equilíbrio terrestre, são por natureza tristes e meditabundos. O seu destino é reconhecido na necessidade dos momentos.

Triste Fardo

Vejo a morbilidade dos dias vertidos entre duas telas e um olhar apagado e questiono-me se estes restos de ser são razão suficiente para este viver. Serão riqueza produzida ou produto desperdiçado? Serão segundos perdidos ou momentos auferidos? Nestes momentos de estuporada introspecção todas as dúvidas são razão e qualquer questão uma perene indagação. Exploro sofregamente as razões de ser do ser e entorpeço-me. Porquê despender preciosos minutos na busca incessante do entendimento? A alegria da manualidade e da utilidade de ver produzido em mãos capazes maior mérito apresenta. A simplicidade dos frutos concebidos e da sua execução todos alegra e espanta enquanto o labor não visto é menosprezado pela sua imperceptibilidade. Triste fardo este partilhado com a mental maleita, por todos renegada por não se entrever defeito. O visto feito e recordado sempre é diferentemente valorado. A causalidade da doença física e perceptível tudo simplifica. Lição a...

Insuficiente

Meu amor, resta-me a enorme mágoa de te faltar.  A certeza do meu destino consome-me e diminui-me. Faz de mim pusilânime e de cisma fácil. Retorno infinitas vezes aos momentos que não viveremos e imagino, de alma tragada, a falta de mim em ti. Imagino que não serei mais. Que não mais afagarei a tua mão. Que de mim nada mais poderás contar.  Atroz sina a de ensinar verdes almas com a violência de perder. Com o ausência do acto conhecido e dos confortos assegurados. Quem escreveria tal funesto argumento? A quem interessaria tão cruel final, se te vendo deus sorri? Como explicar-te que morreria duas vezes para não te ver sofrer? De que forma apresentar a história do meu desaparecimento à razao do meu surgir? Deixo escrito para que me leias, sabendo que tive dúvidas. De tudo duvidei, excepto talvez da profundidade e dedicação do meu amor por ti. Sabe que fiz o melhor, em lágrimas sum...

A Imutável Certeza do Acontecido

Achas-te duro e couraçado. Sentes-te impenetrável, invulnerável a sentimentalites agudas. Consideras-te capaz de tudo racionalizar. De tudo analisar à luz de um frio e seco método pseudo-cientifico. Acreditas ser diferente, na frieza dos teus actos indelicados. Superiormente capaz e preparado, lidas com leveza com a dor alheia. Pensas ser feito de outro material, talvez fruto de intervenção divina ou de divina coincidência. Espalhas dor e incompreensão nos lugares onde transitas. Certo dia, diferente e igual como qualquer outro,  apercebes-te dos meandros da tua estupidez e das lágrimas contidas. Achas-te especialmente meditabundo e não sabes porquê.  Reflectes nos reflexos de causalidade e nas vidas transmutadas. Crês ver a vida com outra amarga clareza. Compreendes finalmente a sua atracção gravitacional e percebes a tua irrelevância na sua inevitável conclusão. Queres viver di...

Viver em Dobro

Hoje os anos são mais curtos. Esvanecem-se rapidamente como areia fina numa ampulheta. Os dias já não são contados. Sucedem-se ininterruptamente numa sucessão de anualidades que perpassam a uma velocidade estonteante. Julgavas, por esta altura, ter vivido em dobro, como descrito nas volumosas e escorreitas memórias que admiras. Encenas desencontros, conquistas e vitórias etéreas, plenas de sonhos desfeitos e anseios inconcebíveis. Incorrigíveis fantasias. Pesaroso notas como a pesada exigência da normalidade amarrotou o projecto da tua pensada existência. Não chega teres em ti todos os sonhos do mundo. A inevitabilidade da morte e a sua urgência obrigam-te a abandonar o conforto de não tentar.

Profecias e Ditames

A cada palavra. A cada gesto teu. A cada menear desinteressado da tua essência. Em cada interjeição solta entre ordinárias  surpresas e descontidas gargalhadas. Em todos os momentos. Em todos os segundos da tua existência e sua perene persistência. Em todas as cúmplices vitórias alcançadas e nas derrotas inevitáveis. Em cada alheia sentença e no seu feliz desfecho. A cada desditoso ditame e nas suas funestas consequências não realizadas. Em cada profecia arrevesada e na podridão invejosa de quem nos vê sorrir. Sabes-me alheio às pérfidas intenções de quem medra com desentendimentos alheios. O amor puro e desinteressado não deve nunca sucumbir à cupidez dos olhos perscrutantes.

Descontentamento

Dias haverá em que as folhas das árvores não mais cairão indolentes, voando céleres rumo a um destino tantas vezes ansiado. Dias haverá em que, chegando ao seu destino, formarão grande e tenebrosa estrutura que tudo recobrirá. Dias chegarão em que não mais se submeterão ao pisoteio displicente dos poderes instituídos.  Dias chegarão em que perceberão que o poder de aqueloutros reside na inacção de quem tudo podendo nada faz. Dias haverá em que a revolta transbordará, qual mar alvoraçado, submergindo vilas, aldeias e cidades com seu alvo sentir. Dias haverá em que encontrarás nas palavras de outrem a organização do teu sentir e razão do teu descontentamento. Dias chegarão em que verão a força de quem se julgou fraco. Dias chegarão em que o conforto de quem te acachapa será rejeitado pelos que agora se levantam.  

Desgastado

Desgastado. Vazio, numa sombra de mim que de ti me fica.  Vejo-me nauseado. Enjoado dos clínicos odores e das memórias despertas. Recordo os múltiplos dias passados entre as memórias fusionadas e difusos pormenores, onde o convencional sentido de tempo e espaço pareciam não ter lugar. Lembro como, entre laivos e lapsos, vivias duas vezes o passado feito presente. Como eu era ele e de repente ninguém. Como me imaginavas criança e embalavas cuidadosamente quem agora cuida. Recordo os dias em que te encontrava de volta, cerebral e meditabunda, seguido de dias passados entre estranhos e conversas sem assunto. Revivo a violência das palavras e a pequenez da minha alma quando, irritado e veloz, partia imergido em impropérios. Supos ser empático e adivinhei-me capaz. Inocente no pensar e estouvado no agir. De que servem, agora, as palavras conciliadoras e o perdão dos actos reconhecidamente irreflectidos? Tomara ser a imagem de mim e o seu resultado. Toma...

Não Me Morras

Não te deixarei morrer. Não tomarei como exactas as informações, claramente exageradas, que noticiam a tua morte. Meu bem, não te imagino egoísta ao ponto de me morreres. De me abandonares, sem mais, neste caminho que os teus olhos doces prometiam que sempre percorreríamos juntos. Não deixarei por cumprir as tuas promessas e o sorriso das tuas palavras. Não esquecerei os planos que tinhas para mim e os meus anseios para nós. Se este é o fim não quero mais começar. De que servem os inícios se o fim abrupto transmuda e impede as vidas começadas? Como crescerei se tu, parte de mim, não és mais? Como manter viva a vida que me deste e as memórias ainda dolorosas dos ternos dias?   Com que alento percorrerei os caminhos duplamente conquistados? Quem me dará a mão nas travessias mal-aventuradas que o crescimento impõe? De que forma atravessarei, só, as ruas e caminhos desta cidade que fizemos nossa? Quero apenas desligar-me. Deixar de sentir e não pensar...

Oásis

Por favor, deixa me sentir-te. Conhecer-te os mais íntimos e recônditos vales e florestas tropicais. Deixa-me imaginar-te, reduzido nos sentidos e de restantes apurados. Deixa-me percorrer a imensidão desse deserto e morrer, assim mesmo, na opulência desse oásis. Permite-me calcorrear-te, apoderar-me e saciar esta sede insana. Deixa-me ensandecer na fartura e abastança dessa convidativa mesa. Convida-me a entrar sem rodeios, abertamente dispensando falsos romantismos. Dispõe claramente de mim e avança vitoriosa e sem hesitações. Sequioso e inanido espero por ti, sonhando acordado, sentindo, no encontro ansiosamente aguardado, o cálido fluir da tua vida e o a paz dos músculos exauridos.

Minudências

Meu bem, perdoa estes pensamentos difusos e desconexos de uma mente ardente, febrilmente redigidos (de pés bem assentes nas nuvens). Regurgito cogitações, adubando campos para gentes que medram alegramente no teu vómito. Carefree e saltitantes.  Não sei mais amar nem o seu significado. A razão da sua criação ultrapassa-me. Talvez entenda o seu valor biológico e a sua importância na propagação do bicho-homem mas o seu romantismo transcende-me. A formatação social deste constructo tem em si todas as dores do mundo e a sua salvação. Deus é amor na sua essência.  A ser algo na sua dúbia existência, só amor pode. Tudo o resto é absurda construção social que decorre e resulta da absoluta necessidade de não nos sentir-mos sós. De sermos mais e não apenas mais isto, minúsculos parafusos e circuitos falsamente integrados. Deus, o amor e o seu objectivo são em tudo semelhantes excepto na estúpida interpretação de quem, nos seus devaneios de loucura, se deix...

Empedernido

Tempo de sorrisos forçados e formalidades sociais de uma boçalidade exasperante.  Delicadezas, abraços e cumprimentos vazios de significância dúbia.  Presentes quimicamente adocicados e palavras derramadas instintivamente. Sem cognição, sem reflexão, sem sentimento e clareza.  Despedidas bem humoradas e alegres falsetes. Trocas de humores e presenteios obrigatórios bidirecionais. Compulsoriamente feliz de faces imóveis.  Compulsoriamente diferente quando todos os rostos se misturam na visão turva e medicamentosa experimentada. A mesma alegria periodicamente imposta e não experienciada. Como viver triste na felicidade alheia? Como remomerar noites de fantasia e amor quando só eu me importo? Só eu me preencho e nada mais basta. Noites inteiras de solilóquios e minutos perenes.  Não há marketing que contegie um coração empedernido. 

Lições de Antanho

Vivo remotamente, teleguiado pelas lições aprendidas de outrém e a sua toda-poderosa mensagem. Não quero sentir o arrependimento de quem viveu demasiado depressa, trocando o essencial pelo acessório. Não almejo a fama e glória à força de te perder, nas memórias distantes dos dias de antanho. Quero experienciar o presente com as lições do passado. Viver os tempos modernos pelas antigas escrituras. Prefiro ser menos tendo-te mais. Não abdico das vivências irrepetiveis pelo título brasonado. Preciso do teu sorriso e viver despreocupado. Peço que deixes comigo as agruras e ausências. Não quero, à distância, sapiente, leccionar quem agora se inicia, amargamente avivando memórias do que podia ter sido. Quero ser aquele a quem os livros se destinam e colocar em prática os seus ensinamentos. Julgo ser assim a Norte e a Oeste. Os restantes pontos cardeais também concordarão. Quero ser o bom aluno e a lição aprendida. Quero ser a razão do trabalho acaba...

Sensibilidade

Conheces bem a sensibilidade que me caracteriza e já terás conhecido, com toda a certeza, animais inanimados com maior reactividade aos pruridos e indelicadezas com que esta vida nos presenteia. Sabes que guardo brioso toda e qualquer emotividade, colocando somente, no teu caminho, o metódico e intimidante guarda e o seu sedento e raivoso canino. Sinto-me uma espécie de medusa, simultaneamente bela e delicada e terrivelmente dolorosa. Julgo que este dualidade, as duas faces deste inferior sentir acaba inevitalmente por revestir de complexidade algo que poderia ser belo e puro. Vejo a tua simplicidade desarmante,  comovido e amedrontado. Tomara ser eu e, como tu, amar descomplexadamente. Tomara poder dar-me sem receio das trevas que poderias entrever. Da fragilidade que poderias advinhar e abominar. Conseguirei ser o teu porto de abrigo sendo, concomitantemente, a tormenta que amedronta e atemoriza? Passada a moção, verei nos teus olhos o mesmo amor ...

Constância

Vivo preocupado com a constância. Perturba-me a incumprimento das certezas auto-impostas. Dou demasiado importância à permanência rigorosa destas verdades universais construídas. Ofereço-me ao erro e enfureço-me. O rigor e a permanência dos sentidos estabilizam-me. Necessito da estrutura e do vigor da imposição. Do viver paulatino e das consequências aguardadas. A desconstrução dos hábitos adquiridos à força de pesadas cogitações encarniçam-me, quando não acompanhadas por aturadas e fundamentadas explicações. Exigo saber. Conhecer as mecânicas do teu sentir e a razão do teu fazer. Quero ver locomover ossos, músculos e tecidos e o seu resultado final. Não basta aludir breve e despreocupadamente vontades e desejos avulsos. Quero profundidade na análise e precisão na sua explanação. Preciso de ordem neste caos divinamente criado.

Provisório

Disse secamente que te amava. Ignorei o teu sentir e as lágrimas bailando nos grandes olhos de criança. Mostrei-te como sou, desnudo da alma para dentro. Obriguei-te a acreditar na culpabilidade alheia enquanto tu, inocente e pura, choravas. Quis ver-te sofrer. Sentir-te abandonada, desemparada e só neste maldito mundo. Nesta miserável existência, onde apenas tu vês o belo no quotidiano sentir, amaldiço-o as pedras da calçada e os crentes na sua simplicidade. Descrente sou e serei. O cinismo não me permite acreditar e, ainda assim, creio na bondade de todos e de ninguém.  O bem praticado deriva do que esperamos almejar com as acções praticadas. Ninguém ama desinteressadamente. Ninguém é desinteressadamente. Não há existências puras sem medo do relampejar omnipotente do senhor. Seja qual for o cavalheiro, o receio conquistado faz mover as peças neste xadrez primordial. Tu e eu somos simples peões. Carne para canhão nesta guerra sem lei. Neste viv...

Tu, Pedaço de Mim

Senti-te longe. Imaginei-te mal, sofrendo desgostos inconfessáveis em terras de ninguém. Sem poderes cair no meu abraço, neste meu regaço que gosto de imaginar pleno de poderes curativos inimagináveis. Desconheço a veracidade da afirmação mas não me desconsideres. Foi assim antes, eu sei. Em tempos de antanho curava todos os males reais e imaginários. Cresceste e eu, orgulhoso de te ver medrar, mirro no pesar de me ver irrelevante. São antagonismos bacocos, eu sei. Mas o que o fazer ao cuidador que nasceu igualmente do ventre de tua mãe? Como lidar com o luto da tua vivaz independência?  Imagino-me galgando fronteiras, agarrando as árvores pelas copas e atravessando rios de um só salto para te alcançar. Para te salvar nos momentos em que a noite se abate abruptamente sobre ti. Fui só e imagino-te igual. Romantizo estupidamente com férreos laços de amor eterno e sorrio.

I'd Do Anything For Love (But I Won't Do That)...

Partir sem olhar para trás. Quebrar laços estupidamente, devolver abraços .... Correr desesperado para te amar, julgando que ser veloz sem ser feliz seria suficiente para te reconquistar. Esquecer do que sou, espelho de ti. Olhando para o que desejas, recusando-me a sentir. Servindo-te, respeitando-te, amando-te atemorizado. Tremendo receoso de me ver sem ti. Viver curvando bruscamente em caminhos impróprios a corações apaixonados e almas frágeis. Não sei para onde vou mas seguir-te-ei por aí... Desligado de mim. Agarrado a ti estonteado pela velocidade que imprimes ao nosso amor com tuas palavras firmes. Tudo se transforma e altera enquanto permaneces igual. Imutável nas tuas certezas convincentes. Cego de amor, deixo-me ser possuído por uma inércia que tudo cobre e asfixia.  Estou cheio de mim. Farto de me ver tentando. Aspirando ser quem desejas e imaginas conquanto os dias me façam mais cínico e enfartado de pensamentos amendrontados. Prec...

White Christmas

Perseguem-me as falsas memórias dos natais vividos à lareira, em espessas mantas recostado. Os cheiros, os fartos sabores e o altisonante convívio carregavam a atmosfera de uma energia única. As crianças brincando felizes nas suas corridas infinitas. Os conventuais doces e a serena e não menos doce presença de todos nós.  Os disparates, os risos e até o gritar irritado dos mais velhos me alegra. A ilusão vermelha e branca e a excitação dos presentes recebidos. Embrulhos rasgados por mãos curiosas e olhos esperançosos.  O sono que surge pesadamente como se de um cobertor demasiado grosseiro se tratasse, com o qual nos debatemos inexoravelmente. A abastança do amanhã e os sabores de ontem. A felicidade de nos saber juntos num tempo que se esgota e que não voltará.

Note to Self

Devo deixar de iniciar frases por não. Esquecer o modo negativo como tudo encaro e o mundo adivinho. Limpar o cinismo e o sarcasmo das palavras arremessadas e das respostas enviesadas. Focar-me menos nas manchas de café que a vida deixa no teu carácter e aprender a apreciar uma boa chávena de hiprocrisia - sem açucar, por favor. Quero conseguir apreciar o desplante com que desenvolves a tua peroração, totalmente desperto. De olhos abertos e fel em riste, pronto a disparar argumentos emocionados, embrulhados na revolta e nojo que sinto pelo teu viver. Queres ser gigante em bicos de pés. Sonhas ser grande, subindo nos ombros enlameados dos teus antepassados. Conspurcas a vida com o teu respirar. Vês no próximo apenas mais um degrau que te permitirá aproximar do zénite do funcionalismo desejado. Não te escusas de limpar as solas conspurcadas à farpela simples dos que te auxiliam. Entrevês com clarividência os meios para os aviltantes fins desejados e julgas-te vingado pela ...