Desgastado. Vazio, numa sombra de mim que de ti me fica.
Vejo-me nauseado. Enjoado dos
clínicos odores e das memórias despertas.
Recordo os múltiplos dias
passados entre as memórias fusionadas e difusos pormenores, onde o convencional
sentido de tempo e espaço pareciam não ter lugar.
Lembro como, entre laivos e
lapsos, vivias duas vezes o passado feito presente. Como eu era ele e de
repente ninguém. Como me imaginavas criança e embalavas cuidadosamente quem
agora cuida.
Recordo os dias em que te
encontrava de volta, cerebral e meditabunda, seguido de dias passados entre
estranhos e conversas sem assunto.
Revivo a violência das palavras e a
pequenez da minha alma quando, irritado e veloz, partia imergido em
impropérios.
Supos ser empático e adivinhei-me capaz. Inocente
no pensar e estouvado no agir.
De que servem, agora, as palavras
conciliadoras e o perdão dos actos reconhecidamente irreflectidos?
Tomara ser a imagem de mim e o seu
resultado. Tomara não pesar nestes umbros pendidos as acções, gestos e palavras
arrevesadas.
Tomara ver-te antes e não reviver o depois
incessantemente.
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