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Lições de Antanho



Vivo remotamente, teleguiado pelas lições aprendidas de outrém e a sua toda-poderosa mensagem.

Não quero sentir o arrependimento de quem viveu demasiado depressa, trocando o essencial pelo acessório.

Não almejo a fama e glória à força de te perder, nas memórias distantes dos dias de antanho.

Quero experienciar o presente com as lições do passado. Viver os tempos modernos pelas antigas escrituras.

Prefiro ser menos tendo-te mais. Não abdico das vivências irrepetiveis pelo título brasonado.

Preciso do teu sorriso e viver despreocupado. Peço que deixes comigo as agruras e ausências.

Não quero, à distância, sapiente, leccionar quem agora se inicia, amargamente avivando memórias do que podia ter sido.

Quero ser aquele a quem os livros se destinam e colocar em prática os seus ensinamentos.

Julgo ser assim a Norte e a Oeste. Os restantes pontos cardeais também concordarão. Quero ser o bom aluno e a lição aprendida.

Quero ser a razão do trabalho acabado e a simplicidade do seu objectivo.

Não quero para amanhã as pequenas alegrias que hoje procuras e necessitas.

Quero ser o zénite da minhas limitações. Quero que longe me sintas perto. Quero ser as asas e combustível dos teus sonhos.

Quero ser menos do que anseias e mais do que necessitas.

Quero ser tudo e extinguir-me nas familiares memórias.

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