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Sensibilidade



Conheces bem a sensibilidade que me caracteriza e já terás conhecido, com toda a certeza, animais inanimados com maior reactividade aos pruridos e indelicadezas com que esta vida nos presenteia.

Sabes que guardo brioso toda e qualquer emotividade, colocando somente, no teu caminho, o metódico e intimidante guarda e o seu sedento e raivoso canino.

Sinto-me uma espécie de medusa, simultaneamente bela e delicada e terrivelmente dolorosa.

Julgo que este dualidade, as duas faces deste inferior sentir acaba inevitalmente por revestir de complexidade algo que poderia ser belo e puro.

Vejo a tua simplicidade desarmante,  comovido e amedrontado. Tomara ser eu e, como tu, amar descomplexadamente.

Tomara poder dar-me sem receio das trevas que poderias entrever. Da fragilidade que poderias advinhar e abominar.

Conseguirei ser o teu porto de abrigo sendo, concomitantemente, a tormenta que amedronta e atemoriza?

Passada a moção, verei nos teus olhos o mesmo amor velado?

A minha pusilanimidade faz-me temer a perda de tudo o que mais interessa.

Consigarás ver-me frágil, em cacos dividido?

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