Não te deixarei morrer. Não tomarei como exactas as
informações, claramente exageradas, que noticiam a tua morte.
Meu bem, não te imagino egoísta ao ponto de me morreres. De
me abandonares, sem mais, neste caminho que os teus olhos doces prometiam que sempre
percorreríamos juntos.
Não deixarei por cumprir as tuas promessas e o sorriso das
tuas palavras. Não esquecerei os planos que tinhas para mim e os meus anseios
para nós.
Se este é o fim não quero mais começar. De que servem os
inícios se o fim abrupto transmuda e impede as vidas começadas?
Como crescerei se tu,
parte de mim, não és mais? Como manter viva a vida que me deste e as memórias ainda
dolorosas dos ternos dias?
Com que alento percorrerei os caminhos duplamente
conquistados? Quem me dará a mão nas travessias mal-aventuradas que o
crescimento impõe?
De que forma atravessarei, só, as ruas e caminhos desta
cidade que fizemos nossa?
Quero apenas desligar-me. Deixar de sentir e não pensar.
Percorrer, despida e robótica, os trilhos e as ervas altas que crescem alimentadas
pelas lágrimas que me fizeste chorar.
Quero perder-me no alcatrão sujo e tosco desta existência
imposta. Quero deixar de sentir.
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