Disse secamente que te amava. Ignorei o teu sentir e as lágrimas bailando nos grandes olhos de criança.
Mostrei-te como sou, desnudo da alma para dentro. Obriguei-te a acreditar na culpabilidade alheia enquanto tu, inocente e pura, choravas.
Quis ver-te sofrer. Sentir-te abandonada, desemparada e só neste maldito mundo.
Nesta miserável existência, onde apenas tu vês o belo no quotidiano sentir, amaldiço-o as pedras da calçada e os crentes na sua simplicidade.
Descrente sou e serei. O cinismo não me permite acreditar e, ainda assim, creio na bondade de todos e de ninguém.
O bem praticado deriva do que esperamos almejar com as acções praticadas.
Ninguém ama desinteressadamente. Ninguém é desinteressadamente. Não há existências puras sem medo do relampejar omnipotente do senhor.
Seja qual for o cavalheiro, o receio conquistado faz mover as peças neste xadrez primordial.
Tu e eu somos simples peões. Carne para canhão nesta guerra sem lei. Neste viver despudorado e oportunista.
De que serve este sentir? Qual o seu propósito evolucionário? Qual a razão de ser do ser?
Tudo existe por existir. Quando desaparecer-mos nada restará do nosso mundo sinapticamente construído. Meros resquícios de vidas sofridas apagadas pelo vento.
Comentários
Enviar um comentário