Hoje os anos são mais curtos. Esvanecem-se rapidamente como areia fina numa ampulheta.
Os dias já não são contados. Sucedem-se ininterruptamente numa sucessão de anualidades que perpassam a uma velocidade estonteante.
Julgavas, por esta altura, ter vivido em dobro, como descrito nas volumosas e escorreitas memórias que admiras.
Encenas desencontros, conquistas e vitórias etéreas, plenas de sonhos desfeitos e anseios inconcebíveis.
Incorrigíveis fantasias. Pesaroso notas como a pesada exigência da normalidade amarrotou o projecto da tua pensada existência.
Não chega teres em ti todos os sonhos do mundo. A inevitabilidade da morte e a sua urgência obrigam-te a abandonar o conforto de não tentar.
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