Vejo a morbilidade dos dias vertidos entre duas telas e um olhar
apagado e questiono-me se estes restos de ser são razão suficiente para este
viver.
Serão riqueza produzida ou produto desperdiçado? Serão segundos
perdidos ou momentos auferidos?
Nestes momentos de estuporada introspecção todas as dúvidas
são razão e qualquer questão uma perene indagação.
Exploro sofregamente as razões de ser do ser e entorpeço-me.
Porquê despender preciosos minutos na busca incessante do entendimento?
A alegria da manualidade e da utilidade de ver produzido em
mãos capazes maior mérito apresenta.
A simplicidade dos frutos concebidos e da sua execução todos
alegra e espanta enquanto o labor não visto é menosprezado pela sua imperceptibilidade.
Triste fardo este partilhado com a mental maleita, por todos
renegada por não se entrever defeito.
O visto feito e recordado sempre é diferentemente valorado.
A causalidade da doença física e perceptível tudo simplifica.
Lição antiga que importa reter… não basta ser, há que
parecer.
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