Avançar para o conteúdo principal

Insuficiente

Meu amor, resta-me a enorme mágoa de te faltar. 

A certeza do meu destino consome-me e diminui-me. Faz de mim pusilânime e de cisma fácil.

Retorno infinitas vezes aos momentos que não viveremos e imagino, de alma tragada, a falta de mim em ti.

Imagino que não serei mais. Que não mais afagarei a tua mão. Que de mim nada mais poderás contar. 

Atroz sina a de ensinar verdes almas com a violência de perder. Com o ausência do acto conhecido e dos confortos assegurados.

Quem escreveria tal funesto argumento? A quem interessaria tão cruel final, se te vendo deus sorri?

Como explicar-te que morreria duas vezes para não te ver sofrer?

De que forma apresentar a história do meu desaparecimento à razao do meu surgir?

Deixo escrito para que me leias, sabendo que tive dúvidas. De tudo duvidei, excepto talvez da profundidade e dedicação do meu amor por ti.

Sabe que fiz o melhor, em lágrimas sumido, sabendo da sua insuficiência...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Canseiras Maternais

Costas vergadas no amor de te transportar. Olhos enxutos na hora de te aconchegar. São amores infindáveis e sonhos antecipados. Peito aberto e braços que se estreitam para te amar. Sonolento e cansado na inocência de não saberes. Como é bela a ignorância do teu ser feliz! Como me satisfaz ver-te ser. Este viver vicariante pleno de canseiras e alegrias desmesuradas pela simplicidade dos objectivos alcançados. É dar-te os dias, os anos e o respirar para te ver medrar. Desistir do viver, olvidando quimeras, para te ver vencer. Tudo se repete - e certamente compreenderás - tudo o que fiz no anseio de te amar.

Não Me Morras

Não te deixarei morrer. Não tomarei como exactas as informações, claramente exageradas, que noticiam a tua morte. Meu bem, não te imagino egoísta ao ponto de me morreres. De me abandonares, sem mais, neste caminho que os teus olhos doces prometiam que sempre percorreríamos juntos. Não deixarei por cumprir as tuas promessas e o sorriso das tuas palavras. Não esquecerei os planos que tinhas para mim e os meus anseios para nós. Se este é o fim não quero mais começar. De que servem os inícios se o fim abrupto transmuda e impede as vidas começadas? Como crescerei se tu, parte de mim, não és mais? Como manter viva a vida que me deste e as memórias ainda dolorosas dos ternos dias?   Com que alento percorrerei os caminhos duplamente conquistados? Quem me dará a mão nas travessias mal-aventuradas que o crescimento impõe? De que forma atravessarei, só, as ruas e caminhos desta cidade que fizemos nossa? Quero apenas desligar-me. Deixar de sentir e não pensar...

Ilha dos Amores

Necessitamos de tudo mesmo sabendo que o simples chegaria. Não nos é sufciente a abastança proporcionada pela vivência alcançada. Os pequenos luxos parecem tão indispensáveis quanto revoltantes em análise posterior. Há um sentimento de incompletude, de insufciência por comparação. Há uma espécie de benchmark  sociológico que nos impede de nos sentir saciados, que nos entrega à insatisfação por comparação. É como se só vivessemos se esseoutros nos virem viver. Uma validação social debilitante sem a qual nada basta e tudo é vão. Um vazio preenchido por polegares entendidos e sorrisos digitais. Por sensualidades fingidas e vidas glamorosas. Seduções efémeras e vácuas que persistem e tendem a enganar os mais experientes navegadores. Um canto de sereia inebriante que te conduz ao abismo. É imperioso desprendermo-nos destas ficções sociais em rede. Soltar amarras e navegar sem rumo ou janela digital.