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Mil Receios e Incertezas Vis

Mil receios e incertezas vis me acabrunham e abatem. Procuro fugir dos mesquinhos e pusilânimes pensamentos e abraçar despudoradamente o fracasso. Temer o falhanço mas avançar implacavelmente rumo ao infinito, buscando um amanhã mais sorridente e a serenidade contagiante de quem nada espera. Não prestar atenção às invejosas comadres e recordar sempre a sua emporcalhada intenção. Manter o olhar firme na vitória que me aguarda e não temer os solavancos naturais das dores de crescimento. Amanhã verei o caminho feito com distanciamento. Olharei orgulhoso para as dificuldades ultrapassadas e a obra construída. As distantes vozes ameaçadoras não serão mais do que uma sombra da sua insignificância. Usufruirei do alcançado e do seu legado. Seguirei agora outro caminho, com maior saber de experiência feito. Maior capacidade para enfrentar novos desafios, novos receios e novos e maiores obstáculos. Este é o caminho inevitável para a invencibilidade. Vamos faze-lo juntos.
Mensagens recentes

Humana Reprodução

Sinto-me assim alvoraçado, escorraçado da pessoa que fui quando te conheci. Vejo o avolumar de responsabilidades, medidas pela rugas na tua fronte e as cãs no meu cabelo. Não sei voltar aquele viver despreocupado, isolado do caos alheio e das imperiosas necessidades. Não recordo mais o aroma do vento veranil e estou certo que a maresia não tem mais efeito em mim. O imediatismo e as suas desconhecidas consequências excitam os átomos e os ânimos juvenis. Observo nostálgico, enquanto vivo duas vezes, as trocas e alegres dizeres. Tudo sempre será assim. Essa é a inevitabilidade perene da humana reprodução...

Fingimento

Todos os dias são bons para morrer. Todos os momentos são oportunos e indicados para te libertares do fardo de existires. Da absurda necessidade de corresponderes ao que de ti foi dito. Os resquícios de ti, que intencionalmente deixas transparecer, são os mesmos que te aprisionam na camisa de forças da tua imagem espelhada. A morte soltar-te-à as grilhetas desta falsidade auto-imposta e permitir-te-à, finalmente, experienciar a verdadeira liberdade. Somos todos prisoneiros das nossas ilusões. Vivemos enganados até que a certeza da nossa mortalidade nos surpreende, destruindo os alicerces de uma de uma vida construída com falsos pressupostos. A dolorosa e libertadora reconstrução permite-nos, muitas vezes tarde de mais, a ascensão das cinzas e do podre fingimento. Na insuportável clarividência posterior, enojam-te as convenções e os sentires forçados. Sentes em ti a necessidade suprema de te a...

Mortalidade Adiada

Vivemos uma ilusão de infalibilidade, de mortalidade adiada para tempos longínquos. A morte acontecerá apenas depois de tudo intensamente vivido e conquistado. Depois de nada mais restar por fazer. Os outros, desgastados e afligidos por maleitas várias, são espécie diferente. Não são urdidos do mesmo barro primordial. A estrada que se estende à nossa frente é feita apenas para desbravar cidades e desflorar virgens com um simples olhar. Há um delicioso sentimento de omnipotência. Há um vigor que transpira na vivacidade e aprilino ímpeto. Existe a necessidade hormonal imperiosa de viver tudo no imediato. Como se a vida se esgotasse entre grãos de areia demasiados céleres. A urgência de acontecer impele e possibilita as mais saborosas conquistas assim como os mais trágicos dissabores. Os músculos firmes e retesos presenciam as mais deliciosas tragicomédias. Este sangue que te ferve nas veias e a vontade de viver sofregamente que te asfixia pela impossibilida...

O Ridículo

Que deliciosa altivez e absurda forma de tratar. Quão ridiculamente minúscula te deves sentir para que trates o mundo com tamanha sobranceria e desdém. Que mágoas e inferiores complexos te amedrontam e diminuem? Receias a descoberta da pequena pessoa que te habita? Temes perder o ascendente se te souberem igual? Todos somos intrinsecamente iguais no receio do desconhecido e no medo do avassalador falhanço. És o ser que te fizeste e que te aconteceu. A forma como recuperaram das mazelas os teus ossos partidos auxiliam na terra-formação da tua personalidade. Aa fracturas calcificadas são geralmente a zona mais forte de um coração partido. Assume-te na tua fragilidade e perde a falsa dureza de quem teme o ridículo.

Resíduo de Mim

A verdade é que nunca me conheceste.  Viste apenas o resíduo de mim e as das minhas crenças. Nunca me viste chorar. Nunca sonhaste os meus sonhos. Nunca sentiste a aspereza do meu desespero. Nunca me viste triste e partido, sem remendo. Nunca vibraste com as minhas vitórias. Nunca compreendeste os meus lutos. Nunca partilhaste os meus anseios. Nunca lambeste as minhas feridas ou acalmaste os meus anseios. Nunca encaraste os meus receios. Nunca nutriste os meus sonhos. Nunca me perdoaste o imperdoável. Nunca foste além de ti. Nunca sobraste. Nunca te deste. Raramente me encaraste. Fui assim para ti acessório em fim de colecção. Moldura com imagem bonita formatada. Adereço de qualidade duvidosa. Agora vejo claramente esta história desinspirada. Vejos os risos forçados e os prazeres incompletos. Vejo o vazio nos semblantes e o olhar perdido na vidraça. Vamos colocar um fim à morte anunciada. Estipular um di...

Espaço em Dobro

Desfia-se o novelo enquanto desfazes os castelos construídos. Arrumas as malas e redescobres as ditosas memórias daqueles lugares recônditos onde juntos brincavam e criavam mundos fantasiosos. A tua vida envolta em plástico e a vontade de ficar acompanham-te. Terás espaço em dobro e alegria dividida. Não percebes a urgência e a violência da partida e confunde-te ver o que fica para trás. Cravas as unhas numa desesperada tentativa de parar o inevitável futuro que se advinha. Argumentas entre grossas lágrimas e vozes entrecortadas. Juras mudar. Serás a perfeição e a sua imagem. Seguirás cuidadosamente as instruções que te farão exemplar. Mas tu és a união e o seu contexto. És o orvalho da manhã e o primeiro dia de praia. És a lua cheia e luminosa e o cheiro a terra das primeiras chuvas. És o inesperado sol de inverno e o campo imenso florido. Nós somos as lutas vociferantes concentradas na imperfeição alheia. Somos a dupla beligerante e os anos perdidos. Somos a inaptid...