Senti-te longe. Imaginei-te mal, sofrendo desgostos inconfessáveis em terras de ninguém.
Sem poderes cair no meu abraço, neste meu regaço que gosto de imaginar pleno de poderes curativos inimagináveis.
Desconheço a veracidade da afirmação mas não me desconsideres.
Foi assim antes, eu sei. Em tempos de antanho curava todos os males reais e imaginários.
Cresceste e eu, orgulhoso de te ver medrar, mirro no pesar de me ver irrelevante.
São antagonismos bacocos, eu sei. Mas o que o fazer ao cuidador que nasceu igualmente do ventre de tua mãe?
Como lidar com o luto da tua vivaz independência?
Imagino-me galgando fronteiras, agarrando as árvores pelas copas e atravessando rios de um só salto para te alcançar.
Para te salvar nos momentos em que a noite se abate abruptamente sobre ti. Fui só e imagino-te igual.
Romantizo estupidamente com férreos laços de amor eterno e sorrio.
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