Dias
haverá em que as folhas das árvores não mais cairão indolentes, voando céleres
rumo a um destino tantas vezes ansiado.
Dias haverá em que, chegando ao seu destino,
formarão grande e tenebrosa estrutura que tudo recobrirá.
Dias chegarão em que não mais se submeterão ao
pisoteio displicente dos poderes instituídos.
Dias chegarão em que perceberão que
o poder de aqueloutros reside na inacção de quem tudo podendo nada faz.
Dias haverá em que a revolta
transbordará, qual mar alvoraçado, submergindo vilas, aldeias e cidades com seu
alvo sentir.
Dias
haverá em que encontrarás nas palavras de outrem a organização do teu sentir e
razão do teu descontentamento.
Dias
chegarão em que verão a força de quem se julgou fraco.
Dias
chegarão em que o conforto de quem te acachapa será rejeitado pelos que agora
se levantam.
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