Avançar para o conteúdo principal

Descontentamento





Dias haverá em que as folhas das árvores não mais cairão indolentes, voando céleres rumo a um destino tantas vezes ansiado.

Dias haverá em que, chegando ao seu destino, formarão grande e tenebrosa estrutura que tudo recobrirá.

Dias chegarão em que não mais se submeterão ao pisoteio displicente dos poderes instituídos. 

Dias chegarão em que perceberão que o poder de aqueloutros reside na inacção de quem tudo podendo nada faz.

Dias haverá em que a revolta transbordará, qual mar alvoraçado, submergindo vilas, aldeias e cidades com seu alvo sentir.

Dias haverá em que encontrarás nas palavras de outrem a organização do teu sentir e razão do teu descontentamento.

Dias chegarão em que verão a força de quem se julgou fraco.

Dias chegarão em que o conforto de quem te acachapa será rejeitado pelos que agora se levantam.  

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Canseiras Maternais

Costas vergadas no amor de te transportar. Olhos enxutos na hora de te aconchegar. São amores infindáveis e sonhos antecipados. Peito aberto e braços que se estreitam para te amar. Sonolento e cansado na inocência de não saberes. Como é bela a ignorância do teu ser feliz! Como me satisfaz ver-te ser. Este viver vicariante pleno de canseiras e alegrias desmesuradas pela simplicidade dos objectivos alcançados. É dar-te os dias, os anos e o respirar para te ver medrar. Desistir do viver, olvidando quimeras, para te ver vencer. Tudo se repete - e certamente compreenderás - tudo o que fiz no anseio de te amar.

Não Me Morras

Não te deixarei morrer. Não tomarei como exactas as informações, claramente exageradas, que noticiam a tua morte. Meu bem, não te imagino egoísta ao ponto de me morreres. De me abandonares, sem mais, neste caminho que os teus olhos doces prometiam que sempre percorreríamos juntos. Não deixarei por cumprir as tuas promessas e o sorriso das tuas palavras. Não esquecerei os planos que tinhas para mim e os meus anseios para nós. Se este é o fim não quero mais começar. De que servem os inícios se o fim abrupto transmuda e impede as vidas começadas? Como crescerei se tu, parte de mim, não és mais? Como manter viva a vida que me deste e as memórias ainda dolorosas dos ternos dias?   Com que alento percorrerei os caminhos duplamente conquistados? Quem me dará a mão nas travessias mal-aventuradas que o crescimento impõe? De que forma atravessarei, só, as ruas e caminhos desta cidade que fizemos nossa? Quero apenas desligar-me. Deixar de sentir e não pensar...

Ilha dos Amores

Necessitamos de tudo mesmo sabendo que o simples chegaria. Não nos é sufciente a abastança proporcionada pela vivência alcançada. Os pequenos luxos parecem tão indispensáveis quanto revoltantes em análise posterior. Há um sentimento de incompletude, de insufciência por comparação. Há uma espécie de benchmark  sociológico que nos impede de nos sentir saciados, que nos entrega à insatisfação por comparação. É como se só vivessemos se esseoutros nos virem viver. Uma validação social debilitante sem a qual nada basta e tudo é vão. Um vazio preenchido por polegares entendidos e sorrisos digitais. Por sensualidades fingidas e vidas glamorosas. Seduções efémeras e vácuas que persistem e tendem a enganar os mais experientes navegadores. Um canto de sereia inebriante que te conduz ao abismo. É imperioso desprendermo-nos destas ficções sociais em rede. Soltar amarras e navegar sem rumo ou janela digital.