Todos os dias são bons para morrer.
Todos os momentos são oportunos e indicados para te libertares do fardo de existires. Da absurda necessidade de corresponderes ao que de ti foi dito.
Os resquícios de ti, que intencionalmente deixas transparecer, são os mesmos que te aprisionam na camisa de forças da tua imagem espelhada.
A morte soltar-te-à as grilhetas desta falsidade auto-imposta e permitir-te-à, finalmente, experienciar a verdadeira liberdade.
Somos todos prisoneiros das nossas ilusões. Vivemos enganados até que a certeza da nossa mortalidade nos surpreende, destruindo os alicerces de uma de uma vida construída com falsos pressupostos.
A dolorosa e libertadora reconstrução permite-nos, muitas vezes tarde de mais, a ascensão das cinzas e do podre fingimento.
Na insuportável clarividência posterior, enojam-te as convenções e os sentires forçados. Sentes em ti a necessidade suprema de te afastares da vida para verdadeiramente viveres.
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