A verdade é que nunca me conheceste. Viste apenas o resíduo de mim e as das minhas crenças.
Nunca me viste chorar. Nunca sonhaste os meus sonhos. Nunca sentiste a aspereza do meu desespero.
Nunca me viste triste e partido, sem remendo. Nunca vibraste com as minhas vitórias. Nunca compreendeste os meus lutos.
Nunca partilhaste os meus anseios. Nunca lambeste as minhas feridas ou acalmaste os meus anseios.
Nunca encaraste os meus receios. Nunca nutriste os meus sonhos. Nunca me perdoaste o imperdoável.
Nunca foste além de ti. Nunca sobraste. Nunca te deste. Raramente me encaraste.
Fui assim para ti acessório em fim de colecção. Moldura com imagem bonita formatada. Adereço de qualidade duvidosa.
Agora vejo claramente esta história desinspirada. Vejos os risos forçados e os prazeres incompletos. Vejo o vazio nos semblantes e o olhar perdido na vidraça.
Vamos colocar um fim à morte anunciada. Estipular um dia para o fim da canção. Adeus e até mais.
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