Vivemos uma ilusão de infalibilidade, de mortalidade adiada para
tempos longínquos.
A morte acontecerá apenas
depois de tudo intensamente vivido e conquistado. Depois de nada mais restar
por fazer.
Os outros, desgastados e
afligidos por maleitas várias, são espécie diferente. Não são urdidos do mesmo
barro primordial.
A estrada que se estende à
nossa frente é feita apenas para desbravar cidades e desflorar virgens com um
simples olhar.
Há um delicioso sentimento de
omnipotência. Há um vigor que transpira na vivacidade e aprilino ímpeto.
Existe a necessidade hormonal imperiosa de viver tudo no imediato.
Como se a vida se esgotasse entre grãos de areia demasiados céleres.
A urgência de acontecer impele e possibilita as mais saborosas conquistas
assim como os mais trágicos dissabores. Os músculos firmes e retesos presenciam
as mais deliciosas tragicomédias.
Este sangue que te ferve nas veias e a vontade de viver
sofregamente que te asfixia pela impossibilidade de sorver a vida num só trago
vive de paixões tão efémeras quanto intensas.
Quão ridiculamente divertido é este viver e quantas saudades te gravará na alma estas paixões...
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