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Perpétuo Processo


Estou assim angustiado, cansado de sentir e esperar resoluções.

Simultaneamente, sinto-me empedernido e casmurro perante as possíveis soluções e as perspectivas de apaziguamento.

Fico na ridícula situação de ansiar uma favorável deliberação e, concomitante, o seu recurso para instâncias superiores.

São estes dois eus que se apresentam e guerreiam. Anseiam pela paz, originando guerras.

Estes sempiternos contendentes anseiam tudo e o seu oposto e julgam ver na ordem negociada um sinal de fraqueza.

Atormentado e cansado, promovo encontros multilaterais esperando tréguas. Adormeço pensativo e acordo exausto na expectativa de consenso.

Oito horas de peleja entre folhas de algodão têm as suas nefastas consequências.  O processo parece não tramitar e o desembargador recusa-se a analisar os argumentos.

As partes interessadas engalinham-se e aprofundam divergências em procedimentos sem fim.

No final, desisto da vitória e entrego-me alquebrado ao perpétuo processo.

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