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Ego Violentado


Triste final este de não mais te poder amar por te amar tanto.

O desfecho foi inevitável ainda que infeliz. Revivo o inadiável desenrolar da realidade e penso que nenhum desfecho terá sido tão ineludível quanto este violento fim.

Quantas noites revivi, de olhos empapados, possíveis cenários para este fim apoteótico?

As hipotéticas e supostamente dignas saídas desta triste novela enchem-me de pesar pela sua hipocrisia. Não darei nunca a outra face a quem martiriza e aflige sem consideração.

Pondero absorto os paralelos universos sabendo que tudo se encaminha para um culminar pré-determinado. Nada nunca poderia ser diferente. Fica a saber que sofri de antemão por imaginar as terríveis possibilidades, sem nunca entrever solução diferente.

A morte e o satisfatório e aviltante frémito violento apoderam-se controlando-me na busca pela satisfação de te ver vingado, sem nunca almejar a substituição.

Nada substituirá a felicidade que te foi retirada em laivos de vermelho enraivecido. Nunca reaverás a alegria e inocência dos olhos grandes de criança e a natureza impoluta da tua alma.

Penso – este excesso é tudo o que me sobra – se algum dia me perdoarás. Se conseguirei fazer-te perceber que outra forma de te amar não existia. Que foi para mim o apogeu do meu amor a explosão das suas consequências.

Reflicto telecineticamente na inocente tentativa te mover na minha direcção. Seria mais digna a contrição e a expiação genufectida?

Restam-me estas palavras, demasiadamente mastigadas, e dúvida de ter agido no superior interesse do meu ego ou da tua imagem.

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