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Tic Tac



O martelar consecutivo das teclas marca o correr do tempo, demasiado lento para ser vivido. Sonhos esfacelados a cada repetição inexorável desta dança digital.

Agradeces cínico a atenção dispensada. Sorris à meia-cara a visita não planeada. Trabalhas à jorna pelos sonhos de outrém, com os teus anseios submersos num mar de soluços transportados em bancos desportivos pagos a crédito.

O suor empapa-te a roupa, colada à pele, nessas noites estuporadas em que acordas o despertador com a tua agitação. Tic tac, tic tac. Paredes e tectos adormecidos. Mentes despertas e sorumbáticas.

Rotinas impecavelmente engomadas. Uniformes monocromáticos e sapatos encerados. Retomas contrafeito o alcatrão conhecido entre dois berros e o café deglutido.

Entras suspirando pela hora de partir. Remuneram-te a escravidão do teu viver com afirmantes palmadas e sorrisos vencedores.

Desiste e submete-te. Esquece o que foste e abraça quem serás até o fim dos teus dias.

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