Nada mais resta, meu amor.
Sobrámos nós, velhos e amargurados pelo que deixámos por fazer.
Vivemos tudo sem sentir verdadeiramente. Esgotámos palavras que ficaram por dizer no manancial verborreico que nos entorpeceu os sentidos.
Perdemo-nos e não sei mais encontrar-te. Não sei, sequer, se quero ou devo ir no teu encalço...
Sou mau detective em causa própria - péssimo. Obtenho demasiado prazer da auto-comiseração. Da estética depressiva e dos tons de sépia.
Odeio e adoro sentir. Esta estúpida dualidade entorpece-me. Este embotamento aborrece e, ainda assim, esclarece. Trás luz à escuridão dos dias medidos e palavras aos pensamentos mudos.
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